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domingo, 2 de fevereiro de 2014

2 de fevereiro é dia de Iemanjá: conheça o local da festa


O dia nublado não afastou os fiéis das obrigações na praia do Rio Vermelho

E como o tema é Rio Vermelho resolvi dar uma espiada nos preparativos do bairro para a Festa de Iemanjá, que começa a concentrar participantes já na tarde e noite do dia 1º de fevereiro. Entre caminhões, ambulantes, praticáveis para emissoras de tevê sendo montados e últimos ajustes para as comemorações à Rainha do Mar, turistas e fiéis começavam a encher os primeiros balaios com flores e presentes.

Terrier de Bel Borba, com suas flores primaveris, enfeita...
...o bairro e é muito "requisitado" para fotos de turistas...

...assim como Jorge, Zélia e Fadul, no Largo de Santana


Desde a Primavera pintado de branco com enfeites de flores pelo seu criador, o artista plástico Bel Borba, o terrier gigante ao lado da antiga Igrejinha de Santana (hoje um centro social) parecia pronto para saudar o orixá das águas salgadas com tantas cores. Lá adiante, do outro lado do Largo de Santana, o majestoso casarão da família Taboada, restaurado completamente, espera destinação. Prédio histórico, abrigou o ateliê do artista plástico Carybé em seu primeiro andar.

Casarão Taboada, restaurado, compõe o visual arquitetônico do bairro boêmio

O trecho entre o Largo de Santana e o Largo da Mariquita (que também corresponde ao que receberá a primeira etapa das obras de requalificação da orla do Rio Vermelho a partir do segundo semestre) era todo flores e perfume. Um dos vendedores, Francisco de Assis, 44 anos, já estava a postos com rosas ao preço de "uma é R$ 3, duas são R$ 5" e com as indicações, na ponta da língua, para o quê serve cada cor (rosa, aconchego e casamento; vermelha, paixão; branco, paz; amarela, ouro).

Na hora de escolher a cor da rosa, peça orientação a Tiago ou a Francisco (d) 

Perto dele, ainda no Largo de Santana, a barraca do Acarajé de Regina (uma das três famosas da Bahia, juntamente com Dinha e Cira), estava em pleno funcionamento. Pode provar que é delicioso e vale por uma refeição.

Acarajé de Regina

Seguindo em frente, parei para ver se a famosa arte em mosaico que fotografei em 2006 para postar no flickr ainda estava lá. Está. Preservadinha, como sempre, na fachada do Centro Cultural Casa da Mãe, da cantora e promotora cultural Stella Maris, que divulga a música e os músicos do Recôncavo Baiano, mais precisamente de Santo Amaro da Purificação. Neste 2 de fevereiro, a Casa vai ser um camarote com vista privilegiada para o Caramanchão, a Casa do Peso, na sede da Colônia de Pesca, e a Praia de onde parte o presente para o mar. Cada ingresso custa R$ 60.

Mosaico de Cézar Nóbrega na fachada da Casa da Mãe: festa de camarote

Atravesso a rua, já chegando mais perto do coração da festa e lá encontro o povo de santo cumprindo obrigação com os banhos de folha. A simpática ialorixá Vera Lúcia Santos, do terreiro de Tupinambá da Mata Escura, Candomblé de Ogum, disse que chegou às 6h. Pedi a explicação certa para o que faziam. "Damos axé (força) pedindo proteção, êxito, vitória e caminhos abertos" com arruda, desata nó e aroeira, grãos de arroz com casca, milho, semente de girassol e lentilhas, para a prosperidade, pemba de Oxalá, para fechar o corpo, e o perfume de alfazema, o aroma de Iemanjá. Ela não cobra; a pessoa colabora com quanto quiser. Colabore, viu?

Vera Lúcia, no calçadão da Casa do Peso, com as folhas e pemba do Axé


Antes de chegar ao caramanchão para depositar o presente, se não tiver nada em mãos, não tem problema porque o comércio ambulante de Salvador é super atento. Ao longo de todo o caminho entre as ruas de acesso ao local da festa e os balaios de Iemanjá, você encontra, além das flores, claro, pentes, espelhos, sabonetes, bijouterias, guias e frascos cheios de alfazema. Os preços começam em R$ 1 e, dizem os ambulantes, vão só até R$ 5.

Banquinhas de venda de presentes estão por toda parte. Estamos quase lá
Finalmente o caramanchão, a Casa de Iemanjá, belíssima e enfeitada, e o mar, com os barcos num vai e vem intenso com os fiéis dos principais terreiros que anteciparam as obrigações. O barco Rio Vermelho, que leva o presente principal, já está pronto para puxar o cortejo marítimo de uma das principais festas religiosas da Bahia. Odo Yá!

Os primeiros balaios, ainda na véspera da festa, já lotados de presentes

A Festa de Iemanjá começa na madrugada deste domingo, 2 de fevereiro, com a entrega do presente de Oxum, no Dique do Tororó, uma saudação à Rainha da Água Doce para que ela não fique com ciúme de Iemanjá. Os pescadores promovem, as 5 horas, já no Rio Vermelho, uma alvorada de fogos de artifício chamando o povo para a festa.

Escultura da parte externa ...

...e interior da Casa de Iemanjá.


Os balaios ficam à disposição dos fiéis durante todo o dia. Chegue cedo porque a fila é grande. O músico Carlinhos Brown fará uma apresentação na rua defronte ao Caramanchão, por volta das 16 horas.

Barco Rio Vermelho conduzirá o presente principal

Os presentes começam a descer para os barcos às 16 horas. Para quem quiser seguir o cortejo marítimo ou fazer a entrega antecipada de seu presente direto no mar, há a possibilidade de alugar barcos com os pescadores. (Fotos: Silvianasci/salvadoremumdia)

Enseada de Santana: daqui parte a procissão marítima

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Rio Vermelho se prepara para saudar Iemanjá no dia 2

Praia da Paciência, cenário da festa, com a Igreja de Santana e Casa de Iemanjá

Milhares de pessoas são esperadas no bairro do Rio Vermelho neste domingo, 2 de fevereiro, dia da tradicional Festa de Iemanjá. Como em todos os anos, os baianos vestem branco ou azul (a cor do orixá) e partem, com presentes nas mãos, para encher os balaios que serão levados pelos pescadores da Colônia Z-1 para a Rainha do Mar, como prega o culto do Candomblé. É uma festa muito apreciada e um espetáculo para os turistas.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Dia 2 de fevereiro teve festa no mar do Rio Vermelho



Neste sábado, dia 2 de fevereiro, soteropolitanos e turistas foram ao bairro do Rio Vermelho para a festa da entrega do presente de Iemanjá. Orixá do Candomblé, que representa as águas e é a mãe de todos os orixás, foi saudada pelos pescadores da Colônia de Pesca Z-1 que desde 1923 repetem a tradição.


A Casa de Iemanjá (ao fundo, sobre as pedras), na sede da colônia, ficou lotada de fiéis, que foram levar perfumes de alfazema, rosas vermelhas e brancas, sabonetes, pentes, espelhos e barquinhos enfeitados com flores. A visitação começou na tarde de sexta-feira, 1º, e prosseguiu até por volta das 16h30, quando o presente principal seguiu no barco Rio Vermelho para ser levado ao local da entrega, a 5 km da costa.


O presente principal foi esta escultura em resina, enfeitada com espelhos, confeccionada pelo artista plástico Rui Santana. Colocado em um caramanchão ao lado da sede da Colônia, o presente foi visitado durante todo o dia pelos fiéis. Na praia, centenas de balaios foram destinados pelos pescadores para que a população depositasse seus presentes.


A ialorixá do terreiro Odé Mirim, Mãe Aice (de azul) cumpriu a obrigação de levar presentes para Oxum no Dique do Tororó, na madrugada deste sábado (2 de fevereiro), antes de seguir com o presente principal para o Rio Vermelho. A preparação do presente principal consistiu em colocar dentro do andor as comidas de todos os orixás, de quem Iemanjá é a mãe, segundo a tradição do Candomblé.


Turistas e fiéis também pararam nas diversas bancas para a reza com folhas e alfazema, como manda a tradição.


O barco Rio Vermelho é o que, tradicionalmente, conduz o presente principal no cortejo marítimo que é acompanhado por cerca de 350 embarcações, de acordo com a Colônia Z-1. Pelo menos 700 mil pessoas circularam durante todo o dia pelo Rio Vermelho durante a Festa de Iemanjá.



A recém-inaugurada estátua de Jorge Amado e Zélia Gattai, no Largo de Santana, onde fica a antiga igrejinha do bairro, foi muito procurada pelos turistas para fotos. Jorge Amado é considerado pelos pescadores como o patrono da colônia já que foi ele quem fez gestões junto às autoridades para que fosse reformada a sede e a Casa de Iemanjá, o que aconteceu em 1972. A colônia é considerada uma das mais antigas do Brasil. Há registros em fotografias do Rio Vermelho de que ela existe desde antes do ano de 1860.

A devoção a Iemanjá pelos pescadores começou em 1923, quando o mar do Rio Vermelho passou por uma escassez de peixes. Aconselhados pelos moradores, 25 pescadores mandaram celebrar uma missa e, depois, fizeram a entrega de um presente simples a Iemanjá, obrigação à cargo da ialorixá Júlia do Bogun, o que foi feito no Dique do Tororó. A fartura da pesca fez com que no ano seguinte, 1924, eles repetissem a devoção. Por volta de 1965 a festa ganhou vulto e passou a ser frequentada pelos veranistas e, depois, por moradores de toda a cidade.

Além da parte religiosa, os festejos tiveram a participação de bandas de sopro e percussão, como a do Olodum, o Afoxé Filhos de Gandhi e diversas outras atrações. Depois da entrega do presente em alto mar, a festa no Rio Vermelho prosseguiu nos restaurantes e bares do bairro.