Resolvi fazer o "test drive" completo da viagem de ônibus do Aeroporto até a Praça da Sé. Afinal, já conhecia meio percurso e
indiquei o passeio, que custa R$ 3 (por pessoa) e passa pelas principais praias de Salvador. Na verdade, não é bem um passeio turístico, mas um ônibus de linha convencional, só que com carroceria diferenciada, bancos mais confortáveis (e em menor número), plataformas para o turista que desembarca colocar as bagagens e tarifa R$ 0,50 a mais que o coletivo comum em Salvador (que é de R$ 2,50).
Aí você dá uma boa risada e pensa:
passeio em ônibus convencional um pouquinho melhorado? Aí eu dou uma risadinha e penso:
é, companheiros e companheiras, e tem gente que faz, sim. Estamos agora na plataforma de desembarque do Aeroporto Internacional de Salvador Deputado Luís Eduardo Magalhães. Vou até uma das companhias de táxi e pergunto o valor da corrida Aeroporto-Praça da Sé (R$ 107,84) e sigo para o ponto. Antes, uma foto do itinerário pra que você se posicione no mapa da cidade e vou para o fim da fila, que, nesse dia e horário, estava pequena.
Ali encontro o advogado M. posando pra foto com uma latinha de refrigerante tendo o cuidado de esconder a marca, enquanto a companheira o clica. Vai passar uns dias em
Madre de Deus, a 63 km de Salvador, e optou pelo ônibus. Pergunto se faz sempre assim. Nem sempre. Dessa vez, pela viagem longa e pelo preço que pagaria, optou por
baldear aqui e ali e economizar. Turista tem uma simpatia ímpar. Antes de todos embarcarmos na nossa viagem de
buzu (veja o dicionário de baianês pra entender) ainda ouvi uma orientação jurídica de graça sobre o blog.
Em 15 minutos, depois da Av. Dorival Caymmi, Itapuã
Todos a bordo, e o motorista Reinaldo, acompanhado da cobradora Sônia,
leva o carro. Procuro um lugar no fundo, lado esquerdo, o mesmo da praia, já que vamos contornar o desenho de Salvador. Pergunto a Sônia se ela sabe inglês. Com mais de 20 anos de
casa, revela que foi cobradora nos antigos ônibus executivos da mesma linha e estudou até o básico do idioma. Sobre a viagem, informa que, geralmente, no horário em que estávamos, o ônibus encheria um pouco mas apenas na Barra, onde há mais turista.
Noto que o coletivo sai do aeroporto com uma
cara estrangeira mas, à medida em que avançamos pelo itinerário, ganha um
ar bem baiano, com rostos familiares, miscigenados, pessoas em direção ao trabalho que querem mais um pouco de conforto na viagem. Também noto que, à medida em que avançamos pelas praias, entram e saem do
buzu pessoas com roupas de banho. Nada que vá lhe incomodar, turista!
Vamos seguindo pela Otávio Mangabeira olhando o mar
Voltemos ao que interessa. O
ônibus passa por todas as praias da orla (Itapuã, Piatã, Corsário, Boca do Rio (Praia dos Artistas), Armação, Jardim de Alah e Jardim dos Namorados). Da Pituba em diante, o percurso segue pelas avenidas de dentro: Manoel Dias da Silva, com lojas, hotéis, agências bancárias e restaurantes, as de Amaralina e chega ao Rio Vermelho. Passamos pelo Largo da Mariquita, a praia onde Diogo Álvares Correia, o Caramuru veio dar após o naufrágio de 1510, e onde há o mercado (que vai ganhar post próprio mais adiante, assim como todo o bairro boêmio). Em seguida, o largo da igrejinha antiga, onde está o acarajé da Dinha (um dos 3 famosos, com Cira, em Itapuã, e Regina, também no Rio Vermelho) e, de novo, olha ele: o mar azul da Bahia!
À essa altura, já sentou-se ao meu lado uma turista
conversadora e simpática. Canadense, português fluente, A. conta que veio participar do casamento de um amigo e dispara: "adoro essa cidade. É o lugar em que quero viver no mundo"! Não contesto. Gosto não se discute! Embora ela tenha afirmado que já conhecia Salvador de tempos atrás, vai perguntando o nome de cada praia, e quer chegar ao Rio Vermelho. Depois abre um livro em inglês, indica o autor e passa o restante da viagem lendo. Lá na frente, turistas estrangeiros olham a paisagem e não perdem um detalhe, como o mal cuidado Parque do Aeroclube, na Boca do Rio, que precisa urgente de reforma!
Do meu lado direito, um casal com uma criança, brinca, mostra a janela e aponta, ao chegarmos a Ondina: "daqui a pouco vamos ver as as gordinhas (
N.R. obra da artista plástica Eliana Kertész). Você vai ver a mamãe fazendo pose", diz a mulher. Todos rimos.
As encantadoras gordinhas de Ondina
O ônibus nem chega a lotar. A cobradora Sônia conversa com uma colega sobre turistas que erram o ponto (a nossa amiga canadense foi uma delas) porque se distraem vendo a paisagem ou não prestam atenção à indicação que ela dá. Vira pra mim e diz, já na altura da Barra: não disse que aqui ia encher?" Sobem os moradores e turistas que estão saindo da praia e os demais arrumadinhos que vão ver o Centro Histórico.
Forte de Santa Maria, imagem de apresentação do blog
Já passamos pela Praia da Paciência (Rio Vermelho), de longe conseguimos ver a Igreja de Santana, a Casa do Peso e a praia onde acontece a Festa de Iemanjá (2 de fevereiro), o bairro de Ondina com seus hotéis, os camarotes do Carnaval sendo armados, e já estamos fazendo o percurso do Circuito Dodô (carnaval) em sentido inverso (Ondina-Barra). Porto da Barra e Ladeira, chegamos ao Corredor da Vitória onde há museus, espaços culturais, os grandes e modernos edifícios que tomaram o lugar de casarões antigos, e alguns poucos casarões dos anos áureos em que aquele era, com o bairro da Graça, o espaço mais elegante da cidade. Recomendo, para o turista que quer um passeio cultural, fazer o percurso a pé, visitando alguns museus, até o Campo Grande.
Campo Grande, início do circuito Osmar do carnaval
Chegamos ao Campo Grande! Já temos uma hora e 25 minutos de tempo de viagem, porque não pegamos engarrafamentos. Mais atrações: o teatro Castro Alves, a antiga sede do Clube Cruz Vermelha, que instituiu o desfile no carnaval de rua, em 1884 do século XIX. Entramos no Circuito Osmar, onde também já estão sendo montadas as estruturas do Carnaval. Há um grande hotel, o antigo Hotel da Bahia, em reforma, o Forte de São Pedro,
Casa D'Itália no entroncamento com a Avenida Sete. Já aqui pode olhar para os dois lados que vai ver monumentos históricos como as igrejas das
Mercês e do Rosário, passamos pela Praça da Piedade, Mosteiro de São Bento, Praça Castro Alves e a vista da Baía de Todos os Santos e, finalmente, o fim-de-linha.
Não, o ônibus não pára na
Praça da Sé propriamente dita e, sim, em uma praça de retorno,localizada entre as ruas Chile e Ajuda. De lá, você segue a pé, pois já está no Centro Histórico de Salvador e há muito o que ver pelo caminho. Ou retorna pra o lugar de origem pois já conheceu
meia Bahia gastando apenas R$ 3. Dica: leve um guia turístico na mão e vá conferindo as informações sobre cada praia ou atração do caminho pra passar o tempo. A viagem completa dura, em média, uma hora e meia, segundo a cobradora. Foi mais ou menos isso que eu constatei. Por isso, beba uma água de coco antes de embarcar. No aeroporto custa R$ 2,50 (coco inteiro). Em Itapuã e praias, R$ 2 (coco inteiro). No fim-de-linha, R$ 1 (copo).
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#fui!