sábado, 21 de janeiro de 2012

Fui ao tororó*...

...achei água e não bebi.

Mas essa história, eu só conto mais tarde. Por enquanto, continue a diversão no Farol da Barra!

*Tororó: do tupi-guarani, significa enxurrada, jorro d'água, pequena cachoeira.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Farol, a estrela dos grandes eventos

Voo rasante do avião de patrulha Orion P-3 da FAB

Em homenagem aos 71 anos da Força Aérea Brasileira, o post de hoje é dedicado à aviação e a uma das estrelas do turismo soteropolitano, o Farol da Barra, que estará sempre presente no Salvador em um dia pois é passagem obrigatória a todo visitante. Não só o Carnaval, como a maioria dos grandes eventos da cidade acontecem no cenário do entorno do Forte de Santo Antônio (1534). No interior, o turista tem como atrativo o Museu Náutico da Bahia, instalado no local desde 1975.

pretty little star
À noite, ele continua sinalizando o caminho

A edificação testemunha desde shows musicais a eventos de lazer ou de protesto, e, ainda, os aplausos diários que o sol recebe ao se por no mar, de pessoas que sentam-se no gramado atrás do forte. Diante dele, acontecem regatas no mar ou os shows aéreos como os da Esquadrilha da Fumaça, que, todos os anos, elege o céu da Barra para as suas apresentações. No interior, o museu (ingresso: R$ 10) conta a história da navegação, da Baía de Todos os Santos, do início da colonização do Brasil e da formação étnica do povo brasileiro, e possui relíquias retiradas dos inúmeros naufrágios da época colonial.

esquadrilha da fumaça
Diante do farol famoso acontecem grandes eventos

Esquadrilha da Fumaça
Tucano da Esquadrilha da Fumaça encerra apresentação

are you lonesome tonight?

Mais informações sobre a programação de Verão do Farol da Barra aqui.

Surya
É assim que o sol é visto do pátio do Forte de S. Antônio

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Suntuosos palácios baianos são museus: visite

Palácio Rio Branco ganhou atual fachada após bombardeio

Quem não gosta de entrar em palácios e imaginar como é a boa vida em largos salões, as festas e decisões ali tomadas. Temos dois interessantes palácios, que já abrigaram sede de governo, para visitação do turista e morador da cidade. A exposição "Corredor da História", sobre o instrumento musical que deu origem à guitarra baiana e eletrizou o Carnaval de Salvador, por exemplo, é um bom motivo para ir ao Palácio Rio Branco. Localizado na Praça Municipal, pode ser considerado o mais antigo dos palácios da Cidade da Bahia. Sua história começa em 1549, quando foi erigido em taipa. Seu atual aspecto, no entanto, data de 1919, depois de ter sido bombardeado em 1912, a partir do Forte de São Marcelo, durante o governo J.J. Seabra.

Hoje a antiga sede do governo abriga O Memorial dos Governadores e exposições transitórias. O Rio Branco chegou a ser sede, também, da Prefeitura de Salvador mas o estado precário fez com que as autoridades transferissem o executivo municipal para outros locais, um dos quais o Solar Boa Vista, em Brotas. Decidido a levar de volta a Prefeitura para o centro da cidade, e por não obter a cessão do Rio Branco, o então prefeito Mário Kertész (1986-1989) inaugurou o Palácio Thomé de Souza, defronte à antiga sede da prefeitura.

Thomé de Souza, novidade na paisagem do centro

Da Praça Municipal vamos até as proximidades do Campo Grande, onde fica outra construção que já foi sede e residência do governo do estado. Quando o Rio Branco foi bombardeado, o então governador (o turista pode saber sobre cada um deles no memorial do Rio Branco) José Joaquim Seabra comprou, se mudou e mandou ampliar o Palacete dos Moraes. Para isso, utilizou parte do Passeio Público, próximo ao Forte de São Pedro. Na época, houve protesto popular.

Hoje também abriga museu e o cerimonial do Governo. A transformação da residência em cerimonial e museu foi obra da primeira-dama Solange Coelho, esposa do então governador Nilo Coelho (1989-1991). A residência oficial já havia sido transferida para a antiga casa de veraneio, o Palácio de Ondina desde 1967, e o governo para o Centro Administrativo da Bahia, às margens da Avenida Luiz Viana Filho (Paralela). O Aclamação abrigava instituições responsáveis por obras assistenciais presididas pelas primeiras-damas do estado.

Aclamação, o solar que virou sede de Governo

Mesmo com a utilização, sob protesto, de parte dos jardins do Passeio Público para ampliação do Palácio do Governador, ainda sobraram espaços, como o jardim defronte ao museu e os jardins laterais, onde fica o teatro Vila Velha, um dos mais tradicionais e antigos da cidade.

Entrada do Passeio Público onde está o teatro Vila Velha

Jardim suspenso defronte ao Aclamação

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Blocos sem corda ainda existem na Bahia

mas é carnaval (3)
Avenida Sete é toda cor em dia de carnaval

Carnaval em Salvador é trio elétrico, corda, cantores famosos, camarotes. Certo? Errado. É também fantasias populares e o folião pipoca atrás dos trios independentes ou ao lado da corda do bloco preferido. E, ainda, blocos sem corda, puxados pelas famosas bandas de sopro e bateria, conhecidas pelo antigo apelido de chupa-catarro, tocando das marchinhas antigas aos sucessos atuais. Alguns desses grupos incluem violões, cavaquinhos e violas, como o Paroano sai Milhó e Bloco da Saudade, formados por profissionais liberais que se fantasiam e vão cantando e tocando MPB e samba ao longo dos circuitos.

Há, ainda, os blocos de camisa, grupo de amigos que saem juntos há muitos anos pra se divertir durante, pelo menos, um dia do Carnaval, deixando esposas, namoradas, ficantes e noivas pra trás, embora algumas batam o pé e acompanhem todo o trajeto. Diferente dos grandes blocos, estes também não têm cordas, e é fácil ir arrastando aqueles que preferem brincar o carnaval, mais cadenciado, mais próximo aos músicos, mesmo nos circuitos movimentados.

sagrado e profano

É o caso do Conhaque do Zé. Quem segue o meu perfil no flickr já deve ter visto algumas das fotos que postei desse bloco, formado por amigos de infância e colegas de trabalho, que começou de uma forma bem interessante. O Zé Luís (esse aí, acima, dando entrevista), que dá nome ao bloco, reunia amigos no sábado de Carnaval e ia com eles até a Praça Castro Alves para lá brindarem com conhaque ao início da festa. Depois, cada um seguia seu caminho pelo Carnaval de Salvador.

carnaval
Foliões e o Zé preparam-se para seguir o Conhaque

A brincadeira foi crescendo porque, a cada ano, mais amigos juntavam-se ao grupo. Veio a padronização através das camisas, em 1996, o desfile organizado, o acarajé regado a cerveja na concentração, com apresentação para os familiares e para os moradores da Rua Renato Medrado, no Politeama, de onde eles saem. Segundo o economista Tony Araújo, o Conhaque atinge a maioridade, 21 anos, em 2012. Se o turista quiser conhecê-lo, a concentração começa às 12h30 do sábado de Carnaval (18 de fevereiro), no bairro Politeama, próximo ao Instituto Feminino, e a saída para a avenida será às 13h30. Quase no mesmo horário, e na mesma rua, o turista folião tem outro bloco sem corda para seguir, o Vá que depois eu vou (tel. 71 8125-7082), organizado pelo professor Jayme Quintas, também de camisa, com banda de sopro e bateria, e uma feijoada com cerveja antecedendo o desfile.

carnaval
Tony, o baiano sagrado e profano que é Carnaval

O percurso de ambos acontece no Circuito Osmar, passando pela Avenida Sete, Praça da Piedade, Relógio de São Pedro, Largo de São Bento e, finalmente, a Praça Castro Alves. Só aí, se tiver disposição para olhar, tem muitos dos atrativos turísticos do centro da cidade pelo caminho. Caso esteja interessado, a camisa do Conhaque do Zé custará R$ 50. Na concentração, os integrantes têm direito ao acarajé servido pela baiana Ione. E a cerveja é gratuita para os integrantes da agremiação. Informações: (71) 9168-0446 (com Tony).

já é
Baiana Ione, prepara o acarajé que acompanha o conhaque

Guto Araújo apresenta a camisa do Conhaque do Zé 2012

Confira aqui a programação oficial do Carnaval de Salvador.

E aqui, informações, telefones e endereços úteis para o turista-folião.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ondina, onde o carnaval faz a volta

O bairro dos hotéis é a última parte do Circuito Dodô

Passeando no circuito Dodô (1)

Reservei o dia de sol para passear pelo bairro de Ondina e mostrar aos amantes do carnaval como é a última parte do Circuito Dodô antes da festa. Quem vê as imagens mostradas pelas TVs e sites não tem ideia do como fica a Avenida Oceânica quando não está lotada de foliões. Ondina é um bairro de classe média, já foi um dos mais elegantes e ainda abriga prédios de luxo. Também foi o principal reduto de hotéis de Salvador. O Carnaval chegou ao bairro já perto dos anos 90. Antes, era apenas um local para os blocos "deitarem" as cordas após os desfiles na Barra. Hoje consolidou-se como uma espécie de paraíso dos grandes camarotes.

Montagem de camarotes onde passam os principais artistas do Carnaval

Ondas fortes, em alguns trechos, maré baixa com águas bem tranquilas e piscinas naturais caracterizam a praia de Ondina, localizada entre a Barra e o Rio Vermelho, na orla de Salvador. Mar "aberto", de um azul intenso em dias ensolarados, como é de praxe nas praias da cidade, nestas águas, nos anos 80, banhava-se o veranista famoso Caetano Veloso (e convidados). Ele passava férias na casa da Avenida Adhemar de Barros. Também para esta praia desciam os hóspedes ilustres do Bahia Othon, hotel de luxo que mudou a paisagem de Ondina e levou, com sua presença, outros hoteleiros a investirem no local.

Othon mudou a paisagem do bairro e "levou" mais hotéis

Na época de sua construção, por volta de 1975, reza a lenda que um morador usou materiais não aproveitados na obra para construir uma piscina entre pedras, no mar, atrás do famoso hotel. A piscina natural ganhou escadarias e fundo cimentado, sendo batizada de "Piscina de Seu Oliveira", ou "Bacia das Moças". No entanto, boa parte da intervenção do homem na natureza foi removida e as piscinas voltaram a ter o aspecto natural de hoje.

Tarde de sol, a praia e as famosas piscinas naturais

Durante o Carnaval, a principal avenida, a Oceânica, torna-se a última parte do percurso do Circuito Dodô (que começa em frente ao Farol da Barra e termina na virada da avenida Adhemar de Barros). Na Adhemar, os trios elétricos e blocos são recolhidos. Ali estão os acessos para o Parque Zoobotânico de Salvador (Jardim Zoológico), e para o Alto de Ondina, de onde se tem uma bela vista do mar e onde fica a antiga residência de verão e hoje residência oficial do governo do Estado.

A gordinha abre os braços para o mar

Um dos campi da Universidade Federal da Bahia (UFBa) tem acesso também através desta avenida, cuja principal atração, no entanto, ainda são as gordinhas, esculturas da artista plástica (ex-vereadora e ex-secretária municipal de educação de Salvador), Eliana Kertész. Localizadas na entrada da via, que liga a orla à Avenida Garibaldi, elas representam as três etnias que formaram o povo brasileiro.

O outro lado do percurso com o camarote Salvador ao fundo

No Carnaval, grandes camarotes são montados em Ondina. A cidade viveu nos últimos dias momentos de polêmica por causa de um deles, o Salvador, que ocupa uma praça próxima à praia. Moradores, artistas e simpatizantes do bairro fizeram um movimento em protesto ao uso da praça, recém-restaurada, justificando que a estrutura dificulta o acesso e deixa a praia escondida. Leia mais aqui. Outros grandes camarotes são o Planeta Band Othon e o Harem (no antigo Salvador Praia Hotel).

Nesse trecho do Circuito Dodô os blocos descem suas cordas

Quem pensa em participar do Carnaval 2012 em um dos hotéis de Ondina deve se apressar. Alguns já estão com os pacotes esgotados. Um 4 estrelas como o Portobello, por exemplo, teve pacotes de sete noites por R$5,2 mil (casal) com café-da-manhã. O hotel fica no coração do circuito, defronte ao Camarote Planeta Band Othon. No 3 estrelas Bahia Sol e Mar, R$ 4.990 (seis noites para duas pessoas), também com café-da-manhã. Bons restaurantes de comidas típicas ainda faltam ao bairro, diz a chefe de recepção de um dos hotéis. O taxista Edson Conceição, 60 anos, 22 na praça, que leva turistas a passeios panorâmicos de quatro horas (R$ 150), confirma. Sua recomendação para restaurantes típicos da cidade são direcionadas ao Rio Vermelho ou Barra, mais próximos de Ondina.

Uma das "365" igrejas da Bahia, de arquitetura diferente do tradicional

O acarajé, no entanto, pode ser provado no bairro mesmo, no tabuleiro de Alaíde, perto da igreja católica da Ressurreição do Senhor, uma das mais novas entre as 365 igrejas que a Bahia tem. Rita Moreira, filha de Alaíde, ainda recomenda outros tabuleiros, como o do Acarajé do Cuca, perto da praia, e o da Chica, em rua paralela à Adhemar de Barros.

O mar emoldurado pelo concreto do Othon

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Salvador também é assim

Um dos aspectos da Baía de Todos os Santos, como é vista no subúrbio de Salvador, no bairro de Novos Alagados.
(Dia de folga. Volto amanhã com um novo passeio)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Praia, a escolha é sua

brake to coconut water

Uma das características mais interessantes de Salvador é o fato de ser uma cidade onde a vista do nascer e do por-do-sol se dá no mar. Seu formato também favorece quilômetros de praias para escolher, em mar aberto ou na Baía de Todos os Santos. São 55 km.


Na foto acima, estamos a meio caminho da orla, em direção à Itapuã. Esta área, vista da passarela do Costa Azul, é o Jardim de Alah, praia oceânica, de ondas fortes e que requer cuidado ao experimentar suas águas.

um dos meus caminhos
Armação para caminhadas matinais e vespertinas

Logo em seguida vem Armação, onde acontecem eventos esportivos, como campeonatos nacionais de vôlei de praia ou de surfe, entre outros. Há suportes para redes de vôlei e grupos de amigos se reúnem para a prática do esporte. Ao longo da orla, há áreas destinadas ao baba ou pelada (futebol de areia). Seguindo o caminho (pelo qual passamos no nosso passeio de buzu, lembra?), vem Boca do Rio (com a famosa Praia dos Artistas, reduto dos anos 80 do século XX), Corsário, Jaguaribe, Piatã, Itapuã (Placafor, Sereia e Farol de Itapuã), Stella Maris e Flamengo, já na divisa com Ipitanga, praia pertencente ao município de Lauro de Freitas.

passarela
Passarela do Costa Azul, entre um parque e o mar

O visual do lado direito (o mar), sentido Itapuã, é belíssimo. Fixe nele porque o do lado esquerdo não rende uma boa paisagem a não ser em trechos específicos, como o do Parque de Pituaçu onde o turista poderá ver algumas esculturas de Mário Cravo, no museu a céu aberto com parte das obras do artista.

As famosas barracas de praia foram derrubadas e até então não houve solução para os barraqueiros, que trabalham, ainda, de forma improvisada para atender os banhistas. Ainda vamos "recortar" mais detalhes das praias de Salvador em outras matérias e em fotos. Por enquanto, é só. Bom passeio, porque hoje é dia de sol na Cidade da Bahia.

Achei um site com detalhes sobre as praias de Salvador. Saiba mais no site oficial de turismo do estado.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dia de festa no Bonfim...

dia de festa by Silvianasci (Simno)
dia de festa, a photo by Silvianasci (Simno) on Flickr.


...e dona Maria Luzia dos Santos, 74 anos, garantiu que vai. Ela tem tabuleiro na entrada do Belvedere da Sé, bem na porta do Memorial das Baianas, um museu que mostra a história dessa figura tão significativa para a cultura da Cidade da Bahia. Quando for ao Centro Histórico, dê uma passadinha no Belvedere para dar um "olá" pra ela. Além de provar o acarajé, cocadas, abará e outras iguarias típicas do tabuleiro, ainda terá uma boa prosa. Olha o estilo da nossa baiana!

baiana

Entenda a festa da Lavagem do Bonfim. Informações turísticas: site oficial de turismo da Bahia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Salvador em um dia

Salvador em um dia by Silvianasci (Simno)
Salvador em um dia, a photo by Silvianasci (Simno) on Flickr.

Clique na imagem para ver mais fotos do nosso passeio de buzu

E veja todos os locais por onde ele passa no site da empresa

Que tal, de ônibus?

Resolvi fazer o "test drive" completo da viagem de ônibus do Aeroporto até a Praça da Sé. Afinal, já conhecia meio percurso e indiquei o passeio, que custa R$ 3 (por pessoa) e passa pelas principais praias de Salvador. Na verdade, não é bem um passeio turístico, mas um ônibus de linha convencional, só que com carroceria diferenciada, bancos mais confortáveis (e em menor número), plataformas para o turista que desembarca colocar as bagagens e tarifa R$ 0,50 a mais que o coletivo comum em Salvador (que é de R$ 2,50).

Aí você dá uma boa risada e pensa: passeio em ônibus convencional um pouquinho melhorado? Aí eu dou uma risadinha e penso: é, companheiros e companheiras, e tem gente que faz, sim. Estamos agora na plataforma de desembarque do Aeroporto Internacional de Salvador Deputado Luís Eduardo Magalhães. Vou até uma das companhias de táxi e pergunto o valor da corrida Aeroporto-Praça da Sé (R$ 107,84) e sigo para o ponto. Antes, uma foto do itinerário pra que você se posicione no mapa da cidade e vou para o fim da fila, que, nesse dia e horário, estava pequena.


Ali encontro o advogado M. posando pra foto com uma latinha de refrigerante tendo o cuidado de esconder a marca, enquanto a companheira o clica. Vai passar uns dias em Madre de Deus, a 63 km de Salvador, e optou pelo ônibus. Pergunto se faz sempre assim. Nem sempre. Dessa vez, pela viagem longa e pelo preço que pagaria, optou por baldear aqui e ali e economizar. Turista tem uma simpatia ímpar. Antes de todos embarcarmos na nossa viagem de buzu (veja o dicionário de baianês pra entender) ainda ouvi uma orientação jurídica de graça sobre o blog.

Em 15 minutos, depois da Av. Dorival Caymmi, Itapuã
Todos a bordo, e o motorista Reinaldo, acompanhado da cobradora Sônia, leva o carro. Procuro um lugar no fundo, lado esquerdo, o mesmo da praia, já que vamos contornar o desenho de Salvador. Pergunto a Sônia se ela sabe inglês. Com mais de 20 anos de casa, revela que foi cobradora nos antigos ônibus executivos da mesma linha e estudou até o básico do idioma. Sobre a viagem, informa que, geralmente, no horário em que estávamos, o ônibus encheria um pouco mas apenas na Barra, onde há mais turista.

Noto que o coletivo sai do aeroporto com uma cara estrangeira mas, à medida em que avançamos pelo itinerário, ganha um ar bem baiano, com rostos familiares, miscigenados, pessoas em direção ao trabalho que querem mais um pouco de conforto na viagem. Também noto que, à medida em que avançamos pelas praias, entram e saem do buzu pessoas com roupas de banho. Nada que vá lhe incomodar, turista!

Vamos seguindo pela Otávio Mangabeira olhando o mar
Voltemos ao que interessa. O ônibus passa por todas as praias da orla (Itapuã, Piatã, Corsário, Boca do Rio (Praia dos Artistas), Armação, Jardim de Alah e Jardim dos Namorados). Da Pituba em diante, o percurso segue pelas avenidas de dentro: Manoel Dias da Silva, com lojas, hotéis, agências bancárias e restaurantes, as de Amaralina e chega ao Rio Vermelho. Passamos pelo Largo da Mariquita, a praia onde Diogo Álvares Correia, o Caramuru veio dar após o naufrágio de 1510, e onde há o mercado (que vai ganhar post próprio mais adiante, assim como todo o bairro boêmio). Em seguida, o largo da igrejinha antiga, onde está o acarajé da Dinha (um dos 3 famosos, com Cira, em Itapuã, e Regina, também no Rio Vermelho) e, de novo, olha ele: o mar azul da Bahia!

À essa altura, já sentou-se ao meu lado uma turista conversadora e simpática. Canadense, português fluente, A. conta que veio participar do casamento de um amigo e dispara: "adoro essa cidade. É o lugar em que quero viver no mundo"! Não contesto. Gosto não se discute! Embora ela tenha afirmado que já conhecia Salvador de tempos atrás, vai perguntando o nome de cada praia, e quer chegar ao Rio Vermelho. Depois abre um livro em inglês, indica o autor e passa o restante da viagem lendo. Lá na frente, turistas estrangeiros olham a paisagem e não perdem um detalhe, como o mal cuidado Parque do Aeroclube, na Boca do Rio, que precisa urgente de reforma!

Do meu lado direito, um casal com uma criança, brinca, mostra a janela e aponta, ao chegarmos a Ondina: "daqui a pouco vamos ver as as gordinhas (N.R. obra da artista plástica Eliana Kertész). Você vai ver a mamãe fazendo pose", diz a mulher. Todos rimos.

As encantadoras gordinhas de Ondina
O ônibus nem chega a lotar. A cobradora Sônia conversa com uma colega sobre turistas que erram o ponto (a nossa amiga canadense foi uma delas) porque se distraem vendo a paisagem ou não prestam atenção à indicação que ela dá. Vira pra mim e diz, já na altura da Barra: não disse que aqui ia encher?" Sobem os moradores e turistas que estão saindo da praia e os demais arrumadinhos que vão ver o Centro Histórico.

Forte de Santa Maria, imagem de apresentação do blog

Já passamos pela Praia da Paciência (Rio Vermelho), de longe conseguimos ver a Igreja de Santana, a Casa do Peso e a praia onde acontece a Festa de Iemanjá (2 de fevereiro), o bairro de Ondina com seus hotéis, os camarotes do Carnaval sendo armados, e já estamos fazendo o percurso do Circuito Dodô (carnaval) em sentido inverso (Ondina-Barra). Porto da Barra e Ladeira, chegamos ao Corredor da Vitória onde há museus, espaços culturais, os grandes e modernos edifícios que tomaram o lugar de casarões antigos, e alguns poucos casarões dos anos áureos em que aquele era, com o bairro da Graça, o espaço mais elegante da cidade. Recomendo, para o turista que quer um passeio cultural, fazer o percurso a pé, visitando alguns museus, até o Campo Grande.

Campo Grande, início do circuito Osmar do carnaval
Chegamos ao Campo Grande! Já temos uma hora e 25 minutos de tempo de viagem, porque não pegamos engarrafamentos. Mais atrações: o teatro Castro Alves, a antiga sede do Clube Cruz Vermelha, que instituiu o desfile no carnaval de rua, em 1884 do século XIX. Entramos no Circuito Osmar, onde também já estão sendo montadas as estruturas do Carnaval. Há um grande hotel, o antigo Hotel da Bahia, em reforma, o Forte de São Pedro, Casa D'Itália no entroncamento com a Avenida Sete. Já aqui pode olhar para os dois lados que vai ver monumentos históricos como as igrejas das Mercês e do Rosário, passamos pela Praça da Piedade, Mosteiro de São Bento, Praça Castro Alves e a vista da Baía de Todos os Santos e, finalmente, o fim-de-linha.

Não, o ônibus não pára na Praça da Sé propriamente dita e, sim, em uma praça de retorno,localizada entre as ruas Chile e Ajuda. De lá, você segue a pé, pois já está no Centro Histórico de Salvador e há muito o que ver pelo caminho. Ou retorna pra o lugar de origem pois já conheceu meia Bahia gastando apenas R$ 3. Dica: leve um guia turístico na mão e vá conferindo as informações sobre cada praia ou atração do caminho pra passar o tempo. A viagem completa dura, em média, uma hora e meia, segundo a cobradora. Foi mais ou menos isso que eu constatei. Por isso, beba uma água de coco antes de embarcar. No aeroporto custa R$ 2,50 (coco inteiro). Em Itapuã e praias, R$ 2 (coco inteiro). No fim-de-linha, R$ 1 (copo).

Gostou?

#fui!